Direito Internacional

Homologação de Divórcio Estrangeiro

Entenda quando o divórcio realizado no exterior precisa ser homologado ou registrado no Brasil e quais são os próximos passos para regularizar sua situação.
Resumo rápido

Nem todo divórcio estrangeiro precisa de homologação no STJ.

Casos simples e consensuais podem ser resolvidos direto no cartório.

Se tratou de guarda, pensão ou bens, costuma exigir homologação.

Brasileiros no exterior podem regularizar sem voltar ao país.

A análise do documento define o caminho certo.

Neste artigo
  1. O que é homologação de divórcio estrangeiro?
  2. Meu divórcio passa pelo STJ ou resolve no cartório?
  3. Divórcio combinado e divórcio com disputa
  4. Onde o processo é resolvido?
  5. Quais documentos são necessários?
  6. Quanto tempo demora?
  7. Como funciona o procedimento?
  8. Perguntas frequentes

O que é homologação de divórcio estrangeiro?

Quando um casal se divorcia fora do Brasil, essa decisão não passa a valer automaticamente por aqui. Para que o divórcio valha no país — atualizar o estado civil, casar de novo, partilhar bens ou voltar ao nome de solteiro(a) — ele precisa ser reconhecido formalmente.

Existem dois caminhos para isso:

  • Um procedimento simples no cartório (o nome técnico é averbação); ou
  • Um processo na Justiça, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) (o nome técnico é homologação).

O caminho correto depende de um único ponto: o que a decisão estrangeira definiu, além do fim do casamento.

Sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília

Meu divórcio passa pelo STJ ou resolve no cartório?

A pergunta-chave é simples: o seu divórcio só acabou com o casamento, ou decidiu outras coisas também?

Resolve no cartório

Se o divórcio foi consensual e só pôs fim ao casamento — sem definir guarda de filhos menores, pensão ou divisão de bens —, em geral basta levar os documentos a um cartório no Brasil para atualizar os registros. É o caminho mais rápido.

Passa pelo STJ

Se o divórcio também decidiu guarda dos filhos, o valor da pensão ou a partilha de bens — ou se houve disputa —, é preciso um processo de homologação no STJ.

Vale registrar um detalhe que costuma passar batido: quando o divórcio no exterior tratou de bens situados no Brasil, a divisão desses bens só pode ser feita pela Justiça brasileira. Ou seja, a decisão estrangeira não resolve sozinha essa parte, mesmo depois de homologada — e o caminho precisa ser analisado com cuidado.

Divórcio combinado e divórcio com disputa

O divórcio consensual é aquele em que os dois concordaram. É o caso mais comum e o que tem mais chance de ser resolvido direto no cartório — desde que não tenha tratado de guarda de filhos menores, pensão ou divisão de bens. Veja em detalhe na página Divórcio consensual no exterior precisa de homologação?

Já o divórcio litigioso (o nome técnico é litigioso) é aquele em que não houve acordo e um juiz decidiu. Nesse caso, em regra é necessário o processo de homologação no STJ para o divórcio valer no Brasil.

Onde o processo é resolvido?

O procedimento simples é feito no cartório de registro civil onde o casamento foi registrado no Brasil (se nunca foi registrado aqui, dá para registrar e atualizar o divórcio ao mesmo tempo).

Já o processo na Justiça corre no STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília — o único tribunal que pode reconhecer no Brasil uma decisão tomada em outro país.

Quais documentos são necessários?

  • Cópia completa da decisão de divórcio feita no exterior, com a comprovação de que é definitiva (que não cabe mais recurso).
  • Apostila de Haia — um selo internacional que confirma que o documento estrangeiro é autêntico (ou autenticação no consulado, se o país não fizer parte da Convenção).
  • Tradução juramentada da decisão.
  • Certidão de casamento brasileira (ou outro documento que comprove o casamento).
  • Documento de identidade dos dois ex-cônjuges.
  • Se o caso for para a Justiça: procuração e, quando o divórcio foi amigável, uma declaração da outra pessoa concordando.

Veja a lista completa e como preparar cada documento na página Documentos para homologar uma sentença estrangeira.

Quanto tempo demora?

Depende do caminho. Pelo cartório (averbação) é o mais rápido — costuma levar de algumas semanas a poucos meses. Pela Justiça, quando há acordo, costuma correr em alguns meses; quando há disputa ou é preciso localizar e citar o ex-cônjuge no exterior, é o cenário mais demorado, podendo passar de um ano. Documentação completa e o país de origem influenciam diretamente no prazo.

Como funciona o procedimento?

  1. Juntar os documentosReunir toda a documentação necessária para o seu caso.
  2. Entrada do pedidoO advogado dá entrada no processo no STJ com toda a documentação.
  3. Aviso à outra parteO ex-cônjuge é avisado; se o divórcio foi amigável, confirma que concorda.
  4. Análise e julgamentoO Ministério Público analisa o pedido e o STJ decide.
  5. Atualização dos registrosAprovado o divórcio, ele é registrado no cartório e passa a valer no Brasil.

Perguntas frequentes

Moro fora do Brasil, posso regularizar meu divórcio?

Sim. Tudo pode ser resolvido por um advogado aqui no Brasil, com uma procuração sua. Você não precisa viajar.

O divórcio feito no exterior vale automaticamente?

Não. Dependendo do caso, é preciso atualizar os registros no cartório ou entrar com um processo no STJ para que ele tenha efeito no Brasil.

Posso casar novamente no Brasil?

É preciso regularizar o divórcio antes, porque é o registro brasileiro que comprova o seu estado civil — enquanto ele não for atualizado, você continua constando como casado(a) perante os cartórios e órgãos daqui.

Preciso comparecer ao Brasil?

Não. Dá para fazer tudo à distância, por procuração.

Quanto custa o procedimento?

O valor muda conforme o caminho (cartório ou processo na Justiça), o país onde o divórcio foi feito e a complexidade do caso. O ideal é uma análise inicial para entender as especificidades do seu caso.

Precisa regularizar um divórcio realizado no exterior?

Nossa equipe pode analisar o seu caso e orientar o procedimento adequado para a sua situação.

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As informações desta página são gerais e explicativas. Como cada caso tem detalhes próprios, o ideal é conversar com um advogado antes de decidir os próximos passos.