Para valer como está, a pensão definida no exterior precisa ser reconhecida no Brasil.
Esse reconhecimento é a homologação, feita no STJ.
Depois de reconhecida, a cobrança dos valores é feita na Justiça Federal.
Dá para dar entrada por um advogado no Brasil, mesmo morando fora.
A pensão é um direito da criança — vale buscar orientação para fazê-la valer.
Neste artigo
- O que significa homologar uma pensão definida no exterior?
- Quando a pensão do exterior precisa ser reconhecida no Brasil?
- Homologar é o único caminho?
- E se quem paga mora em outro país?
- Quem julga o processo?
- Quais documentos são necessários?
- Quanto tempo demora?
- Como funciona, passo a passo
- Perguntas frequentes
O que significa homologar uma pensão definida no exterior?
Quando a pensão dos filhos foi definida em outro país — em um divórcio, num acordo ou numa decisão de guarda feita lá fora —, esse valor tem força no país onde foi decidido, mas não passa a valer sozinho no Brasil.
É comum, por exemplo, uma mãe que voltou ao Brasil com os filhos precisar cobrar aqui a pensão que ficou combinada no exterior. Para isso, a decisão estrangeira normalmente precisa passar por um reconhecimento formal chamado homologação. É o procedimento em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confere se a decisão cumpre as exigências da lei brasileira. Feito esse reconhecimento, a pensão pode ser cobrada no Brasil como qualquer decisão nacional.
Quando a pensão do exterior precisa ser reconhecida no Brasil?
Sempre que você precisar usar essa pensão aqui — para cobrar os valores, incluir descontos ou comprovar o direito perante a Justiça e outros órgãos brasileiros — a decisão estrangeira costuma precisar ser reconhecida antes.
Isso vale mesmo quando a pensão foi combinada de forma amigável entre os pais no exterior. O fato de ter sido um acordo não dispensa, por si só, o reconhecimento no Brasil para que ele possa ser exigido aqui.
Cada situação tem detalhes próprios: o país onde a pensão foi definida, o tipo de documento e o que exatamente ficou decidido influenciam no caminho. Por isso, o primeiro passo é analisar a decisão estrangeira com calma.
Homologar é o único caminho?
Não necessariamente — e essa é uma informação que economiza tempo de muita gente. Existem, em geral, três caminhos possíveis:
- Reconhecer a decisão estrangeira: quando o objetivo é fazer valer no Brasil exatamente o que ficou decidido lá fora.
- Entrar com uma ação de alimentos no Brasil: a lei brasileira permite que a ação seja proposta aqui quando quem recebe mora no Brasil. Em algumas situações, esse caminho é mais direto — e permite discutir um valor atual, em vez de repetir o que foi fixado no exterior.
- Usar a cooperação internacional: existem acordos entre países voltados justamente à cobrança de pensão além das fronteiras.
Qual deles serve para você depende de onde cada um mora, do que a decisão estrangeira diz e do que você precisa alcançar. É exatamente isso que uma análise inicial esclarece.
E se quem paga mora em outro país?
Essa é uma dúvida muito frequente de quem recebe. A resposta muda conforme onde mora o responsável pelo pagamento:
O responsável mora no Brasil
Depois de reconhecida a decisão, a cobrança dos valores é feita na Justiça Federal, com os mesmos recursos usados para cobrar qualquer pensão atrasada.
O responsável mora no exterior
Existem acordos de cooperação entre países para ajudar na cobrança de pensão de filhos em outro país. O caminho depende do país envolvido e precisa ser analisado caso a caso.
Quem julga o processo?
O reconhecimento de uma decisão estrangeira de pensão é analisado e julgado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília — o único órgão competente para reconhecer no Brasil decisões tomadas em outro país. Depois desse reconhecimento, a cobrança dos valores é feita na Justiça Federal — o ramo da Justiça que cuida desse tipo de cobrança.
Quais documentos são necessários?
- Cópia completa da decisão estrangeira que definiu a pensão, com a comprovação de que ela é definitiva (que não cabe mais recurso).
- Apostila de Haia — um selo internacional que confirma que o documento estrangeiro é autêntico (ou autenticação no consulado, se o país não fizer parte da Convenção).
- Tradução juramentada da decisão e dos documentos que a acompanham.
- Certidão de nascimento da criança ou do adolescente.
- Seu documento de identidade e, se você tiver, os dados de quem deve pagar a pensão.
- Procuração — a autorização para o advogado atuar em seu nome.
Quanto tempo demora?
O prazo depende de fatores como a documentação estar completa, o país de origem da decisão e se o responsável pelo pagamento é ou não localizado facilmente.
Quando os documentos estão em ordem desde o início, o reconhecimento tende a correr melhor. Reunir a decisão, a apostila e a tradução juramentada com antecedência é o que mais ajuda a evitar exigências e atrasos.
Como funciona, passo a passo
- Análise da decisãoVerificamos o que a decisão estrangeira definiu sobre a pensão e se ela está apta a ser reconhecida no Brasil.
- Reunião dos documentosProvidenciamos apostila, tradução juramentada e os demais documentos necessários.
- Entrada do pedidoO advogado dá entrada no pedido de homologação no STJ com toda a documentação.
- Aviso à outra parte e parecer do MPFA outra parte é informada quando necessário, e o Ministério Público Federal analisa o caso e dá sua opinião.
- Reconhecida a decisão, começa a cobrançaCom a homologação, a pensão pode ser cobrada perante a Justiça Federal.
Perguntas frequentes
A pensão definida no exterior já pode ser cobrada no Brasil?
Não de forma automática. Para cobrar exatamente o que foi decidido lá fora, a decisão precisa ser reconhecida antes. Em alguns casos, porém, é possível entrar com uma ação de alimentos aqui no Brasil — a análise do caso indica qual caminho é o melhor.
Moro no Brasil com meu filho e o pai mora fora. Dá para cobrar?
Em muitos casos, sim. Existem acordos de cooperação entre países para a cobrança de pensão, e o caminho depende do país onde a outra pessoa mora. O ideal é analisar a sua situação para indicar a via correta.
Preciso viajar para resolver isso?
Na maioria dos casos, não. O procedimento pode ser conduzido por um advogado no Brasil por meio de uma procuração, mesmo que você more no exterior.
É obrigatória a tradução juramentada dos documentos?
Em regra, sim. Documentos em outro idioma normalmente precisam de tradução juramentada para serem usados no processo.
Como sei se o meu caso precisa desse reconhecimento?
É preciso analisar a decisão estrangeira e o que você quer fazer com ela no Brasil. A partir dessa análise, dá para confirmar o caminho adequado ao seu caso.
Quer cobrar no Brasil a pensão definida no exterior?
Nossa equipe pode analisar a sua decisão estrangeira e orientar o caminho para fazer valer o direito do seu filho.
Fale com uma advogada agoraAs informações desta página são gerais e explicativas. Como cada caso tem detalhes próprios, o ideal é conversar com um advogado antes de decidir os próximos passos.